Educação Financeira

Vale a pena ter uma previdência privada?

maio 29, 2018 - 11:41 am

Ah, a aposentadoria!!! Provavelmente o momento mais esperado pela maioria das pessoas. Tempo livre para fazer o que se gosta, aproveitar a família, cuidar um pouco de si mesmo. Viver livre de horários e compromissos, quem não sonha com isso? As grandes agências de publicidade sabem bem como funciona a imaginação da gente. Em comerciais de previdência de grandes bancos, aparecem invariavelmente pessoas lindas e felizes, vestindo roupas brancas, combinando com seus dentes perfeitoscercadas de crianças e lindos cães de raça, de preferência descalças na praia. A mensagem que querem que a gente compre é a de que aquelas pessoas conseguiram tudo aquilo porque fizeram cedo um plano de previdência no banco XEntretanto,na vida real não é bem assim.

O que normalmente ocorre, na verdade, pouco ou nada tem a ver com o que as propagandas nos mostram. As remunerações dos aposentados brasileiros são muito baixas, sendo que 80% deles vivem apenas com um salário mínimo. Uma quantia extremamente acanhada, que não possibilita ao trabalhador inativo ter condições de existência digna, garantindo apenas o básico para a sua sobrevivência. A vida depois da aposentadoria acaba não sendo nada daquilo que imaginamos quando ainda somos jovens. Essa realidade leva muito a gente a pensar: será que devo fazer um plano de previdência privada? Será que essa é a minha chance de ter uma vida de comercial de TV quando eu chegar à velhice?

Uma coisa é certa: Depender do INSS para a manutenção de seu padrão de vida no futuro é como fazer um gol contra. Se você quer correr na praia de roupa branca com seus netos, meu amigo, comece a pensar numa forma de complementar sua aposentadoria, seja com um plano de previdência privada, seja com a construção de uma reserva financeira bem investida e gerenciada. Mas aí é que a gente se pergunta: Qual a melhor opção? Fazer um plano ou guardar dinheiro por nossa conta? Alguns acreditam que a previdência privada é um produto interessante. Outros dizem que é uma grande furada e que o melhor é que você mesmo administre sua poupança para aposentadoria em outros investimentos. E aí, o que você acha?

O que é um plano de previdência privada?

Para começar a decidir qual é a melhor opção, é preciso que você saiba exatamente o que é um plano de previdência privada, para assim ter uma base de conhecimento que lhe permita escolher o que é mais adequado para o seu perfil.

Previdência privada é um tipo de produto financeiro de longo prazooferecido por instituições financeiras para complementar a previdência social. No Brasil, os planos de previdência particular são supervisionados por um órgão do governo federal, o Susep (Superintendência de Seguros Privados). Em linhas gerais, ao contratar um plano desse tipo, você se compromete a depositar determinado valor, denominado contribuição, durante certo período de tempo.Ao final desse período, você poderá receber mensalmente uma fração do valor investido e de seus rendimentos, de forma a complementar a aposentadoria que recebe da previdência social, gerida pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Além disso, quando você vier a falecer, todo o patrimônio serátransferido aos seus herdeiros de forma rápida, com pouca burocracia e com vantagens tributárias.

Como tipo de produto financeiro, a previdência privada tem diversos planos.Todos eles são apresentados pelas publicidades ou pelos gerentes dos bancos como algo bem simples. Você bota dinheiro durante alguns anos e, quando se aposentar, recebe de volta. Parece bom não é mesmo? Mas espere um pouco. Ainda precisamos falar sobe as tarifas deste produto, além dos diversos tipos de previdência. É aí que mora o perigo, escolher sem conhecer.

Quais são as vantagens e desvantagens de investir em previdência privada?

Uma das vantagens é que a previdência não entra no inventário. Em caso de falecimento do titular, a renda é liberada para os beneficiários sem necessidade de inventário.

Outra vantagem dos planos de previdência privada está na facilidade que eles oferecem, mesmo para quem não conhece nada do produto. “Vou fazer uma contribuição mensal durante uns 10 a 30 anos e, quando me aposentar, a previdência privada vai complementar minha aposentadoria”.

Essa visão não está tecnicamente errada, mas deixa de levar em consideração algumas questões como:

* O que acontece se eu tiver uma emergência e precisar usar esse dinheiro antes da aposentadoria?

* O que ocorre se eu ficar desempregado e não conseguir mais contribuir mensalmente?

* Qual o custo de oportunidade de colocar meu dinheiro na previdência privada ao invés de investir diretamente em ações, Tesouro Direto ou outras formas dediversificação dos meus investimentos?

* Quais as taxas e tributos vou ter que pagar em um produto desse tipo?

Essas são algumas das desvantagens do investimento em previdência privada, que dificilmente são informadas por quem vende este produto. Cabe a você conhecer os detalhes de cada plano oferecido, e assim estar ciente dos aspectos negativos de cada um. Com todas as informações, você poderá tomar uma decisão que leve em conta todos os fatores.

Tipos principais de previdência privada: PGBL e VGBL

O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) permite que o valor pago à previdência privada seja abatido no seu Imposto de Renda. Se o valor representar até 12% da sua renda bruta anual. Ou seja, uma média de 1% ao mês.

Por exemplo, se a soma dos seus salários, décimo-terceiro e férias no ano inteiro chega a R$ 100 mil. Você pode investir até R$ 12 mil por ano (ou R$ 1 mil por mês) no PGBL. Por isso, ele é recomendado a quem faz declaração de IR completa. Quando você se aposentar e começar a sacar o dinheiro investido, no entanto, terá que pagar os tributos em relação ao valor total que você acumulou ao longo dos anos, e não apenas sobre os seus rendimentos.Portanto, se optar por essa modalidade, prepare-se para esse custo no futuro.

O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), por sua vez, não tem esse benefício de adiar a cobrança do imposto. Nessa modalidade, o governo tributa apenas os rendimentos dos valores investidos, seguindo tabelas progressivas ou regressivas, dependendo do modelo eleito. Por isso, o VGBL é mais indicado para quem tem renda mais baixa (aqueles que não fazem a declaração completa do Imposto de Renda, por exemplo) ou para quem não recebe nenhum rendimento tributável. Algumas empresas oferecem planos desse tipo para seus empregados como forma de benefício. Essa opção pode ser uma vantagem, pois geralmente as corporações pagam uma parte da contribuição, e o empregado banca o restante, nos mesmos moldes do INSS. A desvantagem é que, se a pessoa tiver que se desligar da empresa, passará a ter que arcar com a contribuição inteira ou resgatar o valor antes da hora, pagando mais por isso.

Falando das taxas

Como todo produto financeiro, as previdências privadas remuneram não só seus beneficiários, mas também as instituições que os administram. Uma das formas de as instituições ganharem dinheiro é a cobrança de taxas de carregamento e de administração.

A taxa de carregamento é paga para que a instituição financeira faça a operação do plano. Ela pode ser cobrada no momento da aplicação, do resgate, ou de ambos. Se puder optar, escolha pagá-la apenas no resgate. Assim, seu dinheiro rende alguma coisa antes de ser taxado.

A taxa de administração é cobrada para que o banco mantenha o seu investimento ao longo dos anos. Ela, em regra, é um percentual do total do valor acumulado. Geralmente essas taxas são altas, maiores até do que aquelas cobradas pelos fundos de investimentos, tidas como “salgadas”. E isso corrói bastante os seus ganhos. Especialmente, em comparação com investimentos praticamente livres dessas taxas, como o Tesouro Direto.

Contratar um plano de previdência privada sem entender as taxas e os tributos que serão cobrados é o pior erro que você pode cometer.

Portabilidade

Um fator importantíssimo é verificar a portabilidade do plano. Isso permite que você transfira seus recursos para outra instituição, caso encontre condições mais vantajosas. Além dessa possibilidade, isso lhe dá um maior poder de negociação sobre o valor das taxas cobradas.

ENTÃO QUAL A MELHOR DECISÃO?

 A verdade é que você paga ao banco para administrar o seu dinheiro. Os planos de previdência privada são uma opção MENOS rentável do que outros tipos de investimentos. No entanto, para quem não tem conhecimento financeiro, disciplina nem autocontrole, eles são uma opção que pode ser interessante para complementar a aposentadoria futuramente. Do contrário, se a pessoa for disciplinada e estudiosa, pode focar na sua própria educação financeira e aprender a fazer o investimento de suas economias diretamente,não precisando pagar um intermediário para administrá-las. De qualquer forma, sdecidir realmente investir em previdência, deve-se estudar o assunto a partir de fontes independentes. Não vá perguntar ao vendedor se o produto dele é bom. Ele só vai mostrar as vantagens.

A sua decisão final deve levar em consideração esse dilema. Você prefere pagar a uma instituição financeira para administrar o seu futuro e, assim, ter menos dinheiro lá na frente? Ou prefere tomar as rédeas? Estudar o assunto e fazer os seus investimentos por conta própria, com conhecimento, disciplina e autocontrole durante décadas?

Considerando que você terá que pesquisar para fazer a melhor opção de previdência privada, por que não aproveitar e já se informar outros tipos de investimentos mais rentáveis? Não seria possível fazer uma previdência particular e diversificar investindo em outros ativos?

Além disso, não há certo ou errado aqui. Entretanto, você precisa analisar seu perfil . Além de ser honesto consigo mesmo para pesar vantagens e desvantagens e , portanto, tomar uma decisão.

O QUE NÃO PODE É DEIXAR PARA DEPOIS! 

Tome uma atitude agora e construa sua LIBERDADE FINANCEIRA, e descubra um mundo de possibilidades com o seu dinheiro.

Viva o HOJE, mas tome as rédeas do seu FUTURO!

Everaldo Santana, educação financeira.

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