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Ações da Bolsa sentem impacto do mercado externo e recuam

setembro 3, 2019 - 4:37 pm

Em mais um dia de volatilidade, as ações da Bolsa de Valores se veem acomodando no terreno negativo neste início de tarde.

Às 14h04, o índice recuava 0,81%, aos 99.807 pontos, após chegar às mínimas de 99.6980 pontos mais cedo. Com isso, MRV, BTG, Gol, Eletrobras e Qualicorp figuram entre as ações da Bolsa com as piores baixa, conforme aponta a B3.

Por outro lado, a Estácio (YUDQS) lidera em ganhos, com as ações na Bolsa subindo mais de 3%. Além dela, Ultrapar, Marfrig, Cielo e Petrobrás PN também operam no positivo. Mas, não escondem o cenário amargo que se estende nas demais ações da bolsa.

Desânimo dos investidores locais

Aliás, os recentes números traduzem a cautela e desânimo dos investidores, causados principalmente pelos dados mais fracos da indústria nos Estados Unidos e também pelo desânimo diante da disputa comercial sino-americana.

De acordo com o Instituto para a Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês), o PMI da indústria caiu para 49,1 em agosto, de 51,2 em julho. O dado contrariou a expectativa de 51,0. Leituras abaixo de 50 também indicam que o setor está em contração.

Para analistas, o resultado reprecifica a chance de cortes de juros nos Estados Unidos, algo que será bom para o Brasil, caso aconteça, pois provocaria um fluxo para países emergentes. No entanto, de imediato, o reflexo é negativo, uma vez que o indicador ruim não foi bem recebido pelos mercados americanos e isso acaba impactando a bolsa brasileira de maneira muito semelhante. O fato reacende as discussões sobre uma possível recessão global.

Ações da Bolsa sofrem reflexo das tensões comerciais

Cabe ressaltar que esse desempenho das ações na bolsa também vem do mal estar com a continuidade das tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Esse capítulo rende não apenas reflexos aqui, como no exterior.

Mais cedo, o presidente Donald Trump chegou a sugerir que o rival deseja arrastar as negociações até a próxima eleição americana e prometeu que, caso ele seja reeleito, o tom contra o país asiático será ainda mais duro. Com isso, a percepção de risco continua alta no mundo todo, intensificando a busca por ativos mais seguros no mercado.

Hoje, a gigante de tecnologia Huawei acusou os Estados Unidos de assediar seus funcionários e atacar seus sistemas. Já o governo americano acusa a empresa de roubo de propriedade intelectual e espionagem industrial.

Além disso, a China acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos ontem, afirmando que o governo americano violou o consenso combinado anteriormente entre os dois países.

Ultrapar se destaca no Ibovespa

Com esse cenário, apenas alguns papéis específicos conseguem destacar-se no Ibovespa neste pregão. Como é o caso das ações ordinárias da Ultrapar, que se mantém entre os líderes nessa tarde.

Isso acontece após a Plural, entidade que reúne as grandes distribuidoras de combustíveis do país, divulgar um relatório que aponta aumento de participação de mercado da companhia no mês de julho.

Segundo relatório do Credit Suisse, a rede Ipiranga, braço da Ultrapar nesse setor, ganhou 0,9% de participação de mercado entre junho e julho. Enquanto a BR Distribuidora permaneceu estável e a Raízen perdeu de 0,7 ponto percentual, conforme mostra Stella Fontes no Valor.

Conforme o Credit, o ganho de participação de mercado da Ipiranga em julho veio principalmente de segmentos com margens menores. Eles são o de fornecimento de diesel para outras empresas (avanço de 2,8%) e o de etanol (ganho de 1,2%).

Foram justamente esses segmentos os responsáveis pela perda de participação nos meses anteriores. A melhora em julho não se restringiu a esses segmentos. De acordo com os analistas, a Ipiranga ampliou em 0,4 ponto percentual sua fatia de mercado considerando-se as vendas de todos os combustíveis em postos.

Para o analista Glauco Legat, da Necton Corretora, não há muitas oportunidades para que o Ibovespa alcance novos patamares e dias expressivamente positivos por enquanto. "Faltam notícias boas que levem o índice adiante e o cenário externo vai ditando o ritmo, mas lá fora também está ruim", comenta.

Com Informações do Valor Econômico



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