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Volume de negociações pode estar sendo manipulado por exchanges

dezembro 14, 2018 - 11:59 am

O Instituto de Transparência Blockchain (The Blockchain Transparency Institute) divulgou uma pesquisa em agosto, que estimou que mais de US$ 6 bilhões de Dólares em volume de comércio diário está sendo falsificado.

O relatório aponta que mais de 67% do volume diário das criptomoedas pode estar sendo manipulado. Essa importante descoberta é alarmante, pois, se confirmada, indica que o setor está sendo vítima de uma grande fraude. O site The Block buscou uma análise mais precisa dessa situação.

Alguns analistas de criptografia, entre eles, Larry Cermak, analisaram o volume de negociações de diferentes exchanges do mercado. Ou seja, o objetivo principal por trás dessa análise foi entender se o volume de negociação estava sendo falsificado em algumas plataformas ou não.

Foram selecionadas 18 exchanges diferentes para que o tráfego de novembro fosse analisado. De todas elas, a Binance registrou 32 milhões de visitas no mês, seguida do Coinbase, com 25 milhões de visitantes. Todas as outras exchanges tiveram menos de 10 milhões de visitantes. Curiosamente, quatro das seis principais mais visitadas estão localizadas nos Estados Unidos: Coinbase, Bittrex, Poloniex e Kraken.

Foi analisado também o volume da cada uma dessas exchanges. Sem surpresa alguma, a Binance registrou o maior volume de negociações, algo em torno de US$ 22 bilhões. Cinco outras exchanges tiveram volumes em novembro maiores que US$ 10 bilhões: OKEx, Huobi, ZB.com, DigiFinex e Bitfinex. Entretanto, cinco das sete exchanges com o menor volume também são dos Estados Unidos.

Além disso, quando dividiram o volume de negociação pelo número estimado de visitantes, os resultados foram surpreendentes. Existem algumas exchanges que possuem uma quantidade maior de recursos investidos por visita do que outras. E as duas com maior volume por visita foram a Digifinex e a ZB.com.

O que os resultados dizem

  • Algumas exchanges estão falsificando o volume (provável e pode ser significativo)
  • Algumas exchanges estão focadas em clientes de maior volume (provavelmente e pode ser significativo)
  • Estimativas similares de tráfego da Web estão erradas (provavelmente, mas não é muito significativo)
  • Algumas exchanges podem estar mais focadas na negociação via API, portanto, o tráfego do website não é contado (provavelmente, mas não é muito significativo)

Outro ponto que foi analisado e que também merece atenção é de onde o tráfego vem, geograficamente falando.  Ou seja, cada uma das exchanges analisadas tem um mix geográfico diferente, que varia dependendo de onde as exchanges são baseadas e que público-alvo elas visam ativamente.

Brasil entre os maiores tráfegos de novembro

Foi verificado que o maior tráfego em novembro veio dos Estados Unidos, com 22,33 milhões de visitas. Os países que se seguem são: Rússia (6,83 milhões), Turquia (3,49 milhões), Vietnã (3,26 milhões), Brasil (2,98 milhões), China (2,95 milhões) e Ucrânia (2,26 milhões).

Cerca de 4% do tráfego em novembro veio das mídias sociais, que chegam a aproximadamente 3 milhões de cliques. Mais da metade de todo o tráfego de mídia social é do YouTube, seguido pelo Facebook e pelo Twitter. Aliás, o fato de o Youtube estar liderando o tráfego não surpreende ninguém, se formos analisar que muitas pessoas usam links de referência e é muito mais fácil vender por meio de um vídeo convincente do que por outros meios.

Segundo Larry Cermak, "A análise geral mostra que o tráfego e o volume nem sempre estão correlacionados. O volume por visita pode potencialmente ser uma métrica significativa na identificação do volume falsificado, mas pode indicar um grupo-alvo de clientes diferente, como por exemplo, varejo x grandes clientes".

Portanto, há pouca clareza sobre o tráfego que as exchanges têm. No entanto, é possível ver que não necessariamente as exchanges mais populares em termos de visita lidam com a maior parte do volume.

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